Lidyane Psicologa

Solidão Materna: Um olhar refinado

A solidão materna, uma queixa frequente na clínica, parece como uma realidade cada vez mais angustiante e presente na vida das mães, especialmente durante o puerpério, um período de intensas transformações e adaptações.

Convido à reflexão sob duas perspectivas distintas. Na primeira consideraremos a maternidade num contexto histórico. Em épocas passadas, as mulheres compartilhavam a criação dos filhos em comunidades, cercadas por familiares e vizinhos. O apoio na educação e nos cuidados era coletivo, constituindo um suporte fundamental. Hoje, vivemos em um paradoxo social, onde conquistas como o direito ao trabalho se entrelaçam com desafios como o aumento do consumo, competitividade e a sobrecarga de tarefas associadas à maternidade e às responsabilidades domésticas. A solidão materna é agravada pela falta de reconhecimento social, enquanto as mulheres se veem sobrecarregadas sem o suporte necessário.

Num dilema contemporâneo, a internet e redes sociais amplificam a ideia de uma vida centrada no consumo, produção, competição, egoísmo e busca incessante por uma perfeição inatingível. Esse padrão contribui para uma sociedade marcada por cansaço, fracasso, exaustão e solidão. A disponibilidade para desfrutar da simplicidade e das verdadeiras relações parece negligenciada em meio à incessante busca por produtividade. Ninguém tem tempo para ninguém. Temos tempo apenas para as coisas ou para realizar coisas.

O tempo, voltado exclusivamente para a produção, o fazer e o mostrar o que se faz é considerado valioso, enquanto estar com o outro, ouvir e se disponibilizar doando o seu tempo ao outro numa troca genuína e preciosa é considerado “perda de tempo” e não tem valor.

No âmbito da maternidade, a falta de tempo e apoio emocional compromete a capacidade da mãe de proporcionar os cuidados necessários a seus filhos e a si mesma. O mundo moderno, aparentemente, não foi desenhado para atender às necessidades das mães, o que acarreta consequências negativas para as futuras gerações e a sociedade como um todo.

A segunda perspectiva destaca a relutância em pedir ajuda. Muitas mães acreditam erroneamente que devem enfrentar tudo sozinhas, temendo serem vistas como fracassadas. A percepção de que o outro não estará disponível ou a preferência por não pedir ajuda para evitar implorar por atenção são barreiras que alimentam o distanciamento e a solidão.

A reflexão essencial é: quem tomará a iniciativa na busca pela reaproximação e disponibilidade, tanto para pedir quanto para oferecer ajuda?

Essa é uma questão essencial para romper com a solidão materna e construir uma rede de apoio eficaz.

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