Lidyane Psicologa

Ter ou não ter filhos: escolha ou padrão social?

Enquanto antigamente as mulheres frequentemente tinham vários filhos, a decisão de ter filhos hoje é considerada uma escolha pessoal. No entanto, mesmo nesse cenário de liberdade de escolha, persiste um paradoxo, pois as mulheres continuam enfrentando pressões internas e externas ao decidir não ter filhos, ou quando as circunstâncias impedem uma gravidez natural. As interrogações e a pressão social direcionadas às mulheres são muitas: se permanecem solteiras, ouvem perguntas como “mas você não pensa em se casar?”. Caso se casem, surge a inevitável pergunta: “vocês não têm planos de ter filhos?”. E se já possuem um filho, não falta quem sugira: “mas ele precisa de um irmãozinho”.

Não abordarei esse tópico especificamente neste momento, mas apesar da liberdade de escolha, muitas mulheres ainda enfrentam situações de gravidez não planejada ou indesejada, principalmente na adolescência, mas também na fase adulta.

Mas afinal, se ter filhos é uma escolha, por que escolhê-los?

 A justificativa de ter filhos como continuidade da espécie já não faz mais sentido no mundo de hoje, mas muitas vezes ainda nos vemos presos a uma cultura que dita um roteiro para a vida: nascer, crescer, casar, reproduzir e morrer. Assim, ao optarmos por ter filhos, podemos estar respondendo inconscientemente a uma “necessidade” de cumprir um padrão social profundamente enraizado na cultura.

Ter filhos não é uma obrigação universal, assim como o casamento. Para alguns, pode ser uma realização, enquanto para outros, um desafio, tormento ou simplesmente não ser um caminho desejado. Observar e respeitar essa decisão, tanto em nós mesmas quanto nas outras mulheres, é essencial, pois são elas quem enfrentam as consequências desse julgamento.

Refletir sobre as motivações por trás da escolha de ter filhos, agindo de maneira consciente, pode ser crucial para lidar com as complexidades e encontrar realização na decisão tomada.

Aqueles que decidem trilhar o caminho da parentalidade precisam estar cientes de que isso implica em renúncias, já que os filhos demandarão atenção, dedicação, tempo, disponibilidade e energia por um longo período. Abrir mão de outras aspirações e de desejos pessoais para se tornarem pais pode ser desafiador, mas será menos complicado para aqueles que decidirem com clareza e que tiverem os filhos como parte do seu projeto de vida, em oposição àqueles que seguem o padrão social fantasiando a “família Doriana” ou, melhor, a “família realizada” e idealizada pelo coletivo e que enfeita as redes sociais.

Os caminhos para se ter realização pessoal são diversos e únicos para cada mulher, para cada pessoa, e é crucial estar atento e respeitar o seu próprio percurso.

O destino tanto dos pais quanto dos filhos está intrinsecamente ligado a essa escolha, já que suas vidas estarão entrelaçadas por vários anos até que os filhos amadureçam e possam fazer suas próprias escolhas.

Optar por ter filhos exige uma compreensão profunda das implicações e responsabilidades envolvidas, para que a jornada da parentalidade seja uma escolha consciente e não apenas uma resposta automática a expectativas sociais superficiais.

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